História do município de Jumirim-SP e os imigrantes italianos / History of the municipality of Jumirim-SP and Italian immigrants

Olá pessoal,

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Jumirim teve sua origem com a inauguração da Estação Férrea em 24 de junho de 1886, trata-se da linha férrea Sorocabana cujas estações foram construídas na Fazenda Barreiro de propriedade do português Manoel Novaes, conhecido na época como Manecão, fundador da cidade. A princípio a linha deveria passar nas terras da Fazenda Jurumirim, nome que lhe foi dado em virtude da pequena cachoeira ali existente. Mas uma pequena alteração do projeto do traçado da ferrovia mudou o local da estação para onde hoje está instalado a principal rua da cidade, Manoel Novaes, em homenagem ao seu fundador. Manecão fez a doação da faixa de terra, em favor da Estrada, onde deveria ficar a estação ferroviária. Embora a Vila tenha sido iniciada na Fazenda Barreiro, conservou o nome Jurumirim, que é palavra de origem Tupi-Guarani que significa Salto pequeno ou cachoeira pequena, existente no Rio Sorocaba. O nome Jurumirim, foi mudado para Jumirim para evitar confusão com o município de Juru-Mirim, já existente.

A ferrovia trouxe inúmeras famílias de imigrantes, vindas principalmente da Itália, que permaneceram em Jumirim e com muito trabalho promoveram o crescimento da Vila. Jumirim teve seu impulso na era do café juntamente com a chegada dos imigrantes italianos, cujos costumes, alimentos e o próprio linguajar tiveram grande influencia sobre o local. A imagem 1, abaixo, mostra a bela estação ferroviária de Jumirim.

Imagem 1: Estação ferroviária de Jumirim

Até o ano de 1927 não havia água encanada nas residências da Vila. Esse serviço foi explorado inicialmente, por uma sociedade civil, cujos sócios eram o Sr. Lourenço Giriboni e a Família Goldoni. Em 1º de Janeiro de 1945, numa sessão solene, realizada no Cartório de Paz, que contou com a presença do então Prefeito do município de Tietê, Sr. Plínio Rodrigues de Moraes e do M. Juiz de Direito da Comarca o Sr. Djalma Pinheiro Franco, a Vila de Jumirim, foi elevada a distrito. Usando a palavra o M.M. Juiz congratulou-se com o povo ordeiro e laborioso de Jumirim pela conquista. A festa foi abrilhantada pela excelente banda “Bom Jesus”.

O povo de Jumirim porém guardava no coração a esperança de que o Distrito pudesse, num futuro próximo, conquistar a autonomia política administrativa. Após a Constituição de 1988, que delegou aos Estados a competência para autorizar a criação de municípios, o Estado de São Paulo, em 31 de julho de 1990 através da Lei Complementar nº 651, ficou normas para que os então Distritos, pudessem conseguir autonomia. Em 25 de julho de 1991, um grupo de pessoas, reuniu-se no Clube Recreativo de Jumirim, com o objetivo de formar a comissão que trabalharia para a emancipação. Abaixo, na imagem 2, o coreto da cidade.

Imagem 2: Coreto de Jumirim
Por Jose Reynaldo da Fonseca – Obra do próprio, CC BY-SA 3.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=27061588

Após muito esforço, essa comissão conseguiu a primeira vitória. A Assembleia Legislativa aprovou, em sessão extraordinária realizada no dia 29 de julho de 1994, a solicitação ao TER para que realizasse um plebiscito referente à emancipação de Jumirim. Em 21 de maio de 1995, o plebiscito feito através do voto eletrônico – 1ª experiência da nova forma de votar no Estado – marcou a vitória do sonho do povo de Jumirim. Apesar da vitória a luta ainda continua e, no dia 7 de dezembro de 1995, a Assembleia , em sessão extraordinária, aprovou o Projeto de Lei nº 813, favorável à criação do município. No dia 27 de dezembro de 1995, o Governador Mário Covas sancionou a Lei nº 9330, criando o município de Jumirim.

Distrito de Tietê até 1995, Jumirim conseguiu sua tão sonhada emancipação e em janeiro de 1997, o Sr. Benedito Tadeu Fávero tomou posse como primeiro prefeito eleito pelo voto do povo. Jumirim hoje é conhecido por sua pesca e esportes aquáticos tanto na represa do “Guedes” como na Ponte da Amizade, ambas no Rio Sorocaba e também como polo da indústria cerâmica.
Com um clima subtropical e topografia montanhosa, Jumirim está localizada no espigão divisor entre os Rios Tietê e Sorocaba.

Esta publicação nos remete aos velhos tempos do início da colonização italiana no século retrasado, onde as condições eram difíceis, porém, com a união das famílias, a amizade e o compartilhamento de tudo que se produzia, venceram as dificuldades, e mantiveram a integridade da colonização italiana, sua força e persistência na agricultura, nos costumes, tradições e religiosidade até os dias de hoje. Foram sonhadores destemidos que atraídos por promessas de prosperidade e fartura, o termo na época era “fazer a América”, sofreram agruras nunca imaginadas, doenças, perdas, mortes. Mas a energia deste povo valente, seu espírito empreendedor, a bravura de mulheres companheiras, férteis, de proles numerosas, amorosas e decididas, a honestidade de um tempo onde se honrava o “fio do bigode”, foi decisivo para o sucesso desta sociedade e da maioria.

Essa bela história de Jumirim foi extraída e compilada a partir do livro “Lembranças e Receitas da Antiga Jumirim” (disponível em anexo nesta postagem abaixo), cuja capa está exibida na imagem 3 abaixo, e do site da Prefeitura de Jumirim https://www.jumirim.sp.gov.br/cidade .

Imagem 3: capa do livro “Lembranças e Receitas da Antiga Jumirim”

Apesar de eu ter nascido em São Paulo-SP, na selva de pedra, como neto do Jumirense Luiz Antonio Matteucci eu tive a felicidade de poder ter frequentado Jumirim durante uma boa parte da minha infância e adolescência. Por sorte, mesmo após o falecimento do meu avô, meu pai e meus tios mantiveram a chácara da família em Jumirim até os dias de hoje. Foi lá onde eu pude apreciar as mais diversas experiências, guardadas na mente e no coração, as quais dificimente eu teria vivido em São Paulo-SP: pescar no rio Sorocaba e na lagoa da chácara da família; jogar taco e futebol até o entardecer no campo gramado; sair a noite nas festinhas no clube de Jumirim e poder voltar a pé de madrugada sem medo de crime ou violência; comer um lanchão delicioso no Bar do Carlão; aprender os palavrões italianos como “porco cane”; pular carnaval no clube de Jumirim e curtir as marchinhas de carnaval como nos velhos tempos; ficar no coreto da pracinha conversando com os amigos; escutar as histórias de assombração dos antigos e ficar passando medo rs; acenar para o maquinista toda vez que o trem passava; tirar leite da vaca; jogar tranca com a tia Arminda e a turma toda na varanda da casa; ter convivência com diversos mebros da família e aprender muito com todos; participar das Festas Juninas na chácara com a turma toda; andar a cavalo; brincar com os cães; comer fruta do pé; escutar o som dos grilos e dos sapos a noite na beira da lagoa; até óvni eu já no céu de Jumirim rs; ouvir as histórias do buraco da onça contadas pelo meu pai; brincar com os primos e amigos na piscina; acender fogueira no anoitecer e ver o céu estrelado com estrelas cadentes… Jumirim, espero voltar em breve.

Dear all,

I invite you to follow me on YouTube: https://youtube.com/user/LeandroMatteucci

Jumirim had its origin with the inauguration of the Railway Station on June 24, 1886, it is the Sorocabana railway line whose stations were built at Fazenda Barreiro owned by the Portuguese Manoel Novaes, known at the time as Manecão, founder of the city . At first the line should pass through the lands of Fazenda Jurumirim, a name given to it due to the small waterfall there. But a small change in the design of the railway layout changed the location of the station to where today the main street of the city, Manoel Novaes, is installed, in honor of its founder. Manecão donated the strip of land in favor of Estrada, where the railway station should be. Although the village was started at Fazenda Barreiro, it kept the name Jurumirim, which is a word of Tupi-Guarani origin that means Salto Pequeno or small waterfall, existing in the Sorocaba River. The name Jurumirim, was changed to Jumirim to avoid confusion with the existing municipality of Juru-Mirim.

The railway brought countless families of immigrants, mainly from Italy, who remained in Jumirim and with a lot of work promoted the growth of the Village. Jumirim had its impetus in the era of coffee together with the arrival of Italian immigrants, whose customs, food and language itself had a great influence on the place. Image 1, below, shows the beautiful Jumirim train station.

Image 1: Jumirim train station

Until 1927, there was no running water in the Vila’s residences. This service was initially operated by a civil society, whose partners were Mr. Lourenço Giriboni and the Goldoni Family. On January 1, 1945, in a solemn session, held at the Cartório de Paz, which was attended by the then Mayor of the municipality of Tietê, Mr. Plínio Rodrigues de Moraes and the M. Judge of the District, Mr. Djalma Pinheiro Franco, Vila de Jumirim, was elevated to district. Using the word M.M. Judge congratulated the orderly and hardworking people of Jumirim for the conquest. The party was brightened up by the excellent band “Bom Jesus”.

The people of Jumirim, however, kept in their hearts the hope that the District could, in the near future, achieve administrative political autonomy. After the 1988 Constitution, which delegated to the States the power to authorize the creation of municipalities, the State of São Paulo, on July 31, 1990, through Complementary Law No. 651, became norms so that the then Districts could achieve autonomy. On July 25, 1991, a group of people met at the Clube Recreativo de Jumirim, with the objective of forming the commission that would work for emancipation. Below, in image 2, the bandstand of the city.

Image 2: Jumirim Bandstand

After a lot of effort, this commission achieved its first victory. The Legislative Assembly approved, in an extraordinary session held on July 29, 1994, the request to TER to hold a referendum on the emancipation of Jumirim. On May 21, 1995, the plebiscite made through electronic voting – 1st experience of the new way of voting in the State – marked the victory of the dream of the people of Jumirim. Despite the victory, the struggle still continues and, on December 7, 1995, the Assembly, in an extraordinary session, approved Bill 813, favorable to the creation of the municipality. On December 27, 1995, Governor Mário Covas signed Law 9330, creating the municipality of Jumirim.

Tietê district until 1995, Jumirim achieved his longed-for emancipation and in January 1997, Mr. Benedito Tadeu Fávero took office as the first elected mayor by the vote of the people. Today Jumirim is known for his fishing and water sports both at the “Guedes” dam and at the Ponte da Amizade, both on the Sorocaba River and also as a pole for the ceramic industry.
With a subtropical climate and mountainous topography, Jumirim is located on the spike between the Tietê and Sorocaba Rivers.

This publication takes us back to the old days of the beginning of Italian colonization in the last century, where conditions were difficult, however, with the unity of families, friendship and the sharing of everything that was produced, they overcame the difficulties, and maintained the integrity of Italian colonization, its strength and persistence in agriculture, customs, traditions and religiosity to this day. They were fearless dreamers who were attracted by promises of prosperity and abundance, the term at the time was “making America”, suffered hardships never imagined, illnesses, losses, deaths. But the energy of this brave people, their entrepreneurial spirit, the bravery of fellow women, fertile, of numerous offspring, loving and determined, the honesty of a time where the “mustache thread” was honored, was decisive for the success of this society and of the majority.

This beautiful story of Jumirim was extracted and compiled from the book “Souvenirs and Recipes from Antiga Jumirim” (available in attachment in this post below), whose cover is shown in image 3 below, and from the Jumirim City Hall website https://www.jumirim.sp.gov.br/cidade .

Image 3: cover of the book” Souvenirs and Recipes from Antiga Jumirim

Although I was born in São Paulo-SP, in the concrete jungle, as grandson of Jumirense Luiz Antonio Matteucci, I was fortunate to have been able to attend Jumirim during a good part of my childhood and adolescence. Fortunately, even after the death of my grandfather, my father and my uncles kept the family farm in Jumirim until today. It was there that I could enjoy the most diverse experiences, kept in mind and heart, which I would hardly have lived in São Paulo-SP: fishing on the Sorocaba river and on the family’s farm pond; playing taco and football until dusk on the grassy field; going out at night in the parties at the Jumirim club and being able to walk back at dawn without fear of crime or violence; eat a delicious snack at Bar do Carlão; learn Italian bad words like “cane pig”; skip carnival at the Jumirim club and enjoy the carnival marchinhas as in the old days; stay in the bandstand of the square talking with friends; listen to the haunted stories of the ancients and be scared rs; wave to the driver every time the train passed; to milk the cow; play with Aunt Arminda and the whole gang on the porch of the house; having contact with different members of the family and learning a lot from everyone; participate in the Festa Juninas on the farm with the whole class; horseback riding; playing with dogs; eating fruit of the foot; listening to the sound of crickets and frogs at night at the edge of the pond; even UFO I already in the sky of Jumirim rs; listening to the stories of the jaguar hole told by my father; playing with cousins ​​and friends in the pool; light a fire at dusk and see the starry sky with shooting stars … Jumirim, I hope to return soon.

Thank you.

l.matteucci

Sou graduado em engenharia civil, com interesse em diversos temas, tais como: aquarismo, leitura, viagens, lazer, restaurantes, pesquisas científicas, hobbies, etc...

4 thoughts on “História do município de Jumirim-SP e os imigrantes italianos / History of the municipality of Jumirim-SP and Italian immigrants

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